A razão do ser...





A Razão do Ser: O Despertar do Homem Consciente

O homem se questiona a cada instante, buscando respostas para sua existência e explicações para o mistério de seus próprios valores e desejos. Muitas informações conflitantes turvam sua percepção e reduzem sua capacidade de expressão, fazendo com que apenas uma pequena fração de seu potencial se manifeste. São muitas perguntas, e as respostas, embora abundantes, residem dentro dele, silenciosas, aguardando serem percebidas.

A razão da existência humana não se limita ao passado ou ao futuro, mas reside no ato de semear e colher no presente. O homem é parte de um projeto maior de D’EUS, uma continuação da verdadeira expressão da eternidade, manifestada por milhões de máscaras que se alternam entre o invisível e o visível, o real e o ideal. Assim como está escrito:

"Não se preocupe com o amanhã, porque o amanhã trará suas próprias preocupações; a cada dia basta o seu próprio mal." (Mateus 6:34)

Não se deve apegar ao “será” ou ao “como seria”, pois estas são abstrações; o que importa é a ação consciente no agora, o movimento que transforma potencial em manifestação, desejo em realização. É na leve presença e atenção plena que a energia do Cristo-Ação se torna viva, movimentando os projetos, sonhos e intenções do homem, sem separação entre o que se imagina e o que se concretiza.

Reflexão: O Caminho do Despertar

Um buscador observa o amanhecer. Sente o ar suave tocar o rosto e percebe cada gesto da vida ao seu redor: o som da água, o cheiro da terra úmida, a força da luz rompendo a escuridão. Ele compreende que a clareza não está em fórmulas externas, mas na atenção aos próprios passos, escolhas e decisões. Cada gesto — desde o alimento que ingere até a palavra que pronuncia — influencia sua capacidade de agir com presença.

A Escritura nos lembra:

"O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor dirige os seus passos." (Provérbios 16:9)

O despertar não é um fardo, mas um convite à leveza: perceber, sentir e agir com coerência, tornando a máscara humana consciente e íntima de D’EUS.

O Corpo como Instrumento do Despertar

Para que a ação se realize plenamente, o corpo precisa ser cuidado com atenção, produzindo força, confiança, coragem e vigor. A alimentação correta fornece energia tangível para o movimento da consciência, sem se perder em modismos ou fantasias. A fertilidade, em seu sentido amplo, está na capacidade de produzir, nutrir e manifestar, permitindo que o Cristo-Ação se revele de forma natural e harmoniosa.

O corpo, a mente, a emoção e a presença trabalham como um conjunto integrado — o verdadeiro Quadrado de Marte em ação. A prática consciente de cuidar de si mesmo, seja com alimentos simples e nutritivos ou com exercícios que fortalecem a vitalidade, cria a base para que o homem se torne firme, alerta e capaz de expressar seu ser pleno no mundo.

Harmonia das Polaridades

Heráclito nos ensina:

"A harmonia oculta é melhor que a aparente, pois os opostos se equilibram continuamente."¹

O equilíbrio entre luz e trevas, positivo e negativo, masculino e feminino, se manifesta na ação consciente. As polaridades não se combatem, mas se complementam, formando uma unidade que permite a expressão plena da consciência. Esta é a base do Cristo-Ação: a energia que se move quando a ação é legítima, consciente e harmonizada.

Aristóteles acrescenta:

"A felicidade depende de nós mesmos."²

E na compreensão contemporânea, podemos dizer que a leveza e a presença são ferramentas do homem para perceber, discernir e agir com clareza. Madre Raya nos lembra:

"O despertar ocorre quando se escolhe sentir e perceber; não é esforço, mas receptividade e atenção plena."

Assim, cada gesto torna-se uma manifestação do ser, cada ação é um passo na travessia do que limita para a liberdade do despertar consciente. O homem desperta em presença, e nesse despertar, a razão de ser se revela com clareza, harmonia e leveza, permitindo que a máscara humana viva de forma consciente a verdade de D’EUS.


¹ Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático, nos lembra que a harmonia verdadeira se encontra na tensão equilibrada entre os opostos, e não na aparência externa.
² Aristóteles, filósofo grego clássico, enfatiza que a felicidade e a realização dependem da ação consciente e da presença na própria vida.

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